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O que está acontecendo em Şengal?

  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Juntamente com os ataques a Rojava, ameaças têm se multiplicado contra o território autônomo de Şengal (norte do Iraque, sul do Curdistão), onde a maioria do povo Yazidi vive. O Estado Iraquiano, em colaboração com o Estado Turco, busca desarmar as forças de autodefesa YBŞ-YJŞ (Unidades de Resistência de Shengal - Unidades de Mulheres de Shengal), as quais lutaram juntamente axs guerrilheirxs do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e YPJ-YPG (Unidades de Defesa das Mulheres/do povo) para salvar Şengal do genocídio e para liberar o território do Daesh. Desde 2014 até hoje, as YBŞ-YJŞ têm defendido o território e permitido o desenvolvimento da Administração Autônoma Democrática de Şengal. Entrevistamos Eesam Şengalî, membro da Unidade da Juventude Êzidxan, para melhor entender a situação no local.


Jovens eziditas e árabes em manifestação em apoio a Rojava, 1º de fevereiro de 2026 (créditos: Nûçe Ciwan)
Jovens eziditas e árabes em manifestação em apoio a Rojava, 1º de fevereiro de 2026 (créditos: Nûçe Ciwan)


Olá camaradas, qual é a situação atual aqui em Şengal? Que problemas vocês estão enfrentando? Quais são suas demandas em relação ao status?


Em Şengal, a administração autônoma, as forças de autodefesa YBŞ-YJŞ e seus amigxs que buscavam a liberdade desde o princípio até os dias de hoje estão se esforçando para assegurar a segurança de Şengal. É sabido que a paz duradoura só é possível por intermédio da proteção da cultura e das crenças do povo, e ao proteger sua vontade e autonomia. Para a existência de Şengal ser protegida, existe a necessidade de um status especial e oficial. Uma aliança que não é baseada na democracia do povo tampouco é baseada na paz. Baseado nisso, devemos nos perguntar: Os Estados do Oriente Médio estão preparados para a paz?

Por um lado, o povo de Şengal enfrenta vários ataques de ocupação. A Turquia não abandonou suas ambições imperialistas e, desde os céus com seus drones e aeronaves, está tentando trazer Şengal sob seu controle. Ao mesmo tempo, as ameaças de assimilação cultural persistem: lançadas contra as crenças e vontade do povo, para que então o sistema capitalista e o estado-nação sejam aceitos.


Para Şengal permanecer Şengal, uma abordagem política é necessária; existe a necessidade de um status baseado em democracia. Não é possível tratar Şengal como um território normal dentro do Iraque. O povo de Şengal têm,até agora, assegurado sua sobrevivência por intermédio de legítima e autônoma autodefesa. Durante o genocídio de 2014, enquanto o KDP (Partido Democrático do Curdistão) e o exército iraquiano abandonaram a pupulação, o povo de Şengal resistiu por si próprio e, com o apoio dxs combatentes Apoistas, libertaram a si próprios da brutalidade do Daesh. As YBŞ-YJŞ ainda estão aguardando reconhecimento oficial enquanto forças de autodefesa.


Neste contexto, fora o trabalho levado pela administração autônoma, as forças YBŞ-YJŞ e a vanguarda da juventude, ninguém fala do perigo e da necessidade de proteger o povo Yazidi, um povo ancestral e sagrado. O trabalho que estamos realizando é feito desde uma perspectiva da autonomia popular e libertação das mulheres. Nunca há qualquer intenção de guerra; o povo de Şengal não se baseia em guerra, mas em resistência. A história de Şengal é ligada à amizade, companheirismo e irmandade entre os povos. Até os dias de hoje, essa abordagem é defendida. Nos ataques contra as SDF (Rojava), a força da irmandade e unidade do povo foi provada.


A política desta região depende do diálogo para manter a guerra sob controle, para que Şengal possa se desenvolver. Entretanto, os esforços do governo iraquiano para melhorar a situação permanecem muito limitados; suas abordagens falham em levar em conta as opiniões e situação do povo.


Como a guerra em curso no Oriente Médio, especialmente entre Israel e os EUA de um lado e Irã do outro, está afetando a situação em Şengal?


Na guerra entre os EUA, Israel e Irã, todos os locais estratégicos estão sendo alvos. No Iraque e no Sul do Curdistão, americanos e Israel estão atacando locais ligados ao Irã, enquanto o Irã está atacando locais ligados aos EUA e Israel. Estes ataques têm se espalhado até o Líbano. O Iraque não é um vácuo. A Turquia, Israel, o KDP, têm planos e projetos para o Iraque e o Sul do Curdistão. O Iraque entende isso. Até então, não houve ataques à Şengal, mas o governo iraquiano quer tirar do povo suas armas e, portanto, seu poder. Uma vez mais, confusão e informações falsas estão sendo espalhadas para promover medo e caos. Mas o povo protege sua existência, ele deve entender a realidade da sociologia histórica da Mesopotâmia e, nesta base, desenvolver um diálogo, uma aliança e um status para Şengal.


Enquanto um movimento revolucionário da juventude, como vocês combatem os ataques sendo lançados contra o povo de Şengal e a juventude de forma geral? Quais são seus planos para fortalecer a resistência?


Para que a verdade venha à tona frente à confusão e para neutralizar os ataques físicos e psicológicos, há a necessidade de um forte despertar político. Nós podemos alcançar isso por intermédio de welatparezî [amor e defesa da terra] e o desejo de viver livremente. Novamente, este papel e missão são da juventude. Quanto mais a sociedade sustenta sua existência através da juventude, mais significado adquirem os jovens ativos dentro da sociedade. Nosso futuro está em nossas mãos. São os jovens quem melhor podem comprometer-se a lutar por uma vida justa porque nós somos um forte laço com a vida, com o amor da missão pela liberdade, porque somos nós quem estaremos aqui amanhã.


As guerras realizadas por poderes hegemônicos estão relacionadas ao sistema da modernidade capitalista, que é inerentemente destrutivo. A realidade do colapso deste sistema global - destruição, colonialismo moderno, liberalismo - está dando origem a uma luta internacionalista. Para este fim, nós devemos abordar nossa luta de uma forma ampla. Quanto mais o povo se organizar baseado numa mentalidade enraizada na verdade, menos tendência terá a abandonar a verdadeira liberdade, e mais poderá viver com honra, igualdade e elevados padrões morais.


Aqui, estamos comprometidos em nos organizarmos com base em um pensamento independente e livre; isto deve ser levado em consideração. A defesa de Şengal, seja material ou espiritual, deve ser garantida através do trabalho e esforços do povo de Şengal. Este é o fundamento da democracia e o pré-requisito para a paz. A defesa da cultura, crenças e conquistas da sociedade são condições essenciais. Tudo isso deve ser desenvolvido com base na autodeterminação. Para este fim, para um acordo ser alcançado, deve ser baseado em diálogo com a estrutura das identidades e características específicas dos povos.



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