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Uma Mulher que cresceu nas Montanhas Zagros

  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

Este poema foi escrito por Ruken Viyan Gever em homenagem à camarada Emine Erciyes, militante de vanguarda do PKK e do PAJK e comandante das forças guerrilheiras femininas YJA-STAR, que foi martirizada em 2020 nas Zonas de Defesa da Mídia.



Zagros...

não é apenas uma cordilheira,

mas uma brasa que arde nos corações das pessoas,

uma canção ancestral sussurrada pela história.

E dentro dessa canção caminha uma mulher...


Seus passos correm com o vento, seu olhar fixo além do horizonte.

Ela é paciente como a terra,

fluida como a água,

resoluta como o fogo, livre como o vento.


Quando as montanhas Zagros a abraçaram, nutriram-na como um segredo.

Porque essas montanhas conhecem as mulheres.

Porque essas montanhas foram o primeiro lugar onde as vozes das

mulheres, acorrentadas por séculos, ecoaram.

E essa mulher veio para as montanhas para quebrar essas correntes, uma a uma.


Ela era uma mulher turcomana,

mas não se deixava confinar por códigos étnicos nem por

mentalidades nacionalistas estreitas.

Ela se reinventou na dor e nas esperanças compartilhadas pelo povo.

Tornou-se irmã na honrosa resistência do povo curdo,

pioneira no caminho da libertação feminina,

camarada nas montanhas.


Quando reconheceu o líder,

uma luz se acendeu nos túneis escuros de sua mente.

Ela não era mais apenas uma buscadora, mas uma descobridora,

uma transformadora e uma guia.


Encontrou um novo significado em cada encosta dos Zagros.

Descobriu não apenas a geografia,

mas também seu próprio universo interior.


Para ela, a vida de guerrilha não era uma fuga,

mas um confronto. Era uma rebelião.

Era uma revolução da feminilidade, do gênero, do esforço e da

consciência que havia sido reprimida durante séculos.


E, acima de tudo, ela fez essa revolução vivendo-a. Aquelas mãos

que acolchoaram as costas de uma camarada na noite mais fria da montanha.

Eram as mesmas mãos que seguravam a honra de um povo no conflito mais acirrado.


Às vezes, cada voz se torna uma canção,

às vezes um slogan.

Mas sempre a voz de uma vida tecida com resistência.


As flores da montanha Zagros desabrocharam de forma diferente umas das outras.

As rochas testemunharam suas pegadas.

E o vento ainda sussurra seu nome nas névoas da manhã:

“Aquela mulher passou por aqui...

Carregando a liberdade nos ombros...“

Porque ela não era apenas um corpo.

Ela era uma ideia,

uma alma,

uma rebelião,

um amor.


Ela era uma mulher que cresceu em Zagros,

se multiplicou em Zagros,

se tornou imortal em Zagros.




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